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Abril - Maio - Junho 2010

Uma porta para a TI estratégica

Pronta para uma segunda fase em sua história, a virtualização começa a ganhar espaço entre as empresas brasileiras, deixando para trás tempos de dúvidas, rejeições e o pensamento tradicional.

A virtualização é a prioridade número um dos CIOs ao redor do mundo, segundo dados divulgados pelo Gartner no início do ano.

A pesquisa, realizada com mais de 1500 executivos de TI, aponta o recurso como um dos responsáveis por uma possível guinada no papel dos departamentos de tecnologia das empresas, deixando a corriqueira atividade de resolução de problemas pontuais, e caminhando para um cenário em que se tornará, de fato, estratégica para a corporação.

Um quadro favorável para o ano de 2010, em que, ainda segundo o Gartner, os orçamentos de TI crescerão 1,3%, contra uma redução de 8,1%, em 2009.

Ainda que o Brasil não siga fielmente as tendências globais, já existe uma familiaridade muito maior com o tema, hoje em dia, em suas mais amplas aplicações: seja em virtualização de aplicações, de servidores, de storage, ou de desktops.

A HP, por exemplo, observa que do total de ferramentas de software negociadas pela companhia neste ano, 50% devem estar ligadas a ambientes virtualizados, contra um terço dos negócios da área no ano passado. Silvio Maemura, diretor de software e soluções da HP, conta, ainda, que, nas 50 maiores empresas nacionais atendidas pela HP, metade das demandas dizem respeito a ambientes virtualizados, contra 30% em 2009.

O executivo aponta alguns aspectos como os principais atributos conquistadores da virtualização. Um deles, destacado por Maemura é a condição que ela oferece às empresas de administrarem a sazonalidade de determinadas atividades. "Percebemos no Brasil que a prestação de serviços, por exemplo, é muito volátil e sazonal. Quando se coloca aplicações em ambientes físicos, uma vez que este recurso se esgota, você não consegue aumentar a capacidade para atender às necessidades. Com a virtualização, você ganha elasticidade", argumenta.

Ao lado de tal vantagem reside também a ideia de tornar a empresa um negócio independente de estruturas físicas, leia-se: mobilidade e otimização de custos. "Ao rodar um aplicativo físico, você depende de características como a marca do processador, que deve atender ao consumo de cada aplicativo usado. O layer de virtualização cria uma abstração que imuniza a empresa de questões como essa", afirma Maemura.

Por fim, além de contribuir com a tendência de TI verde, reduzindo custos com energia, por exemplo, a virtualização é uma grande ferramenta viabilizadora da computação em nuvem, última tendência em tecnologia. Nas palavras de Maemura, no futuro próximo, muitas empresas não irão querer mais saber onde estão suas aplicações, mas, sim, desejarão apenas utilizá-la, como um serviço totalmente disponível a cada demanda que a organização tiver.

"Temos percebido cada vez mais receptividade dos clientes brasileiros. Como o trabalho é otimizado, o CIO que o implementa acaba sendo visto com bons olhos dentro da companhia", complementa Erika Ferrara, diretora de canais da Citrix.

"Estamos entrando numa era em que você pode comprar um computador virtual na internet, sob demanda. Você consome e paga só o que usou", reforça Arlindo Maluli, gerente de pré-vendas da VMware para a América Latina, ao assegurar: "A virtualização que está impulsionando a cloud computing, não o contrário".


Pra quem é bom?

Érika revela que a companhia, no País, possui clientes com 50 máquinas virtualizadas [PCs] até aqueles que têm 23 mil máquinas. "A solução serve para qualquer empresa, das mais variadas indústrias: hotéis, restaurantes, agronegócio, financeiras, empresas de Telecom etc. Normalmente as pequenas empresas que adquirem esse tipo de solução são aquelas em que TI é importante para o seu negócio", explica.

Maemura, da HP afirma que, no caso da fabricante – que provê as ferramentas de software que ajudam a administrar um ambiente virtualizado –, as empresas de serviços têm adotado mais massivamente o recurso, ao lado das indústrias de finanças e Telecom. "O segmento menos voltado a isso é o de manufatura. Isso porque empresas que utilizam ERPs ainda não são tão abertas à virtualização – as empresas fabricantes de ERP precisam, ainda, viabilizar o amadurecimento de seus softwares para que possam se adaptar à virtualização".


Desafios a serem vencidos

Apesar dos benefícios visíveis e com certa facilidade de retorno de investimento, a virtualização ainda é um tema de difícil argumentação para os CIOs. Segundo Maemura, da HP, dados do portal especializado Virtualization.info, estimam que cerca de 40% dos projetos desse tema acabam não vingando. "Muitas empresas ainda são imaturas com relação a gestão de ambientes tecnológicos. É preciso saber justificar o custo que vai ser empreendido e que não gerará reduções de gastos imediatamente. Trata-se de uma mudança cultural na empresa, que depende de profissionais internos experientes e bons transmissores do valor da TI a demais áreas da corporação", aponta o executivo, sugerindo como acessórios úteis e importantes o uso de soluções como ITIL e gestão de framework, partindo para a execução de boas práticas globais de administração tecnológica.

"No momento da aquisição de uma rede virtualizada não há redução de custos em relação ao convencional. Porém, ao longo da vida útil do parque, graças à diminuição do volume de aquisição de máquinas para atualizações e upgrades, suporte à infraestrutura e manutenção, obtém-se uma redução de até 40% com a solução virtualizada. Às vezes, no primeiro ano o investimento já se paga", avalia Érika, da Citrix.

Nas contas de Maluli, da VMware, os ganhos podem ser ainda maiores, variando entre 30% a 70% de redução de investimentos e custo mensal de manutenção.


Passo a passo da implementação de um ambiente virtualizado

> Análise do consumo de recursos: quanto consome de energia elétrica, de espaço, das CPUs existentes, da capacidade de processamento, de memória, de espaço em disco, para rodar as aplicações que a empresa utiliza;
> Avaliação do potencial da virtualização em transformar a infraestrutura da companhia, por meio de uma consultoria com a VMware e parceiros, consulta que é praticamente gratuita;
> Análise da fornecedora de virtualização para gerar dados sobre a economia potencial que a ferramenta fornecerá;
> Eleição de um executivo que dará no desenho do projeto, do ponto de vista da arquitetura –o que muda em storage, rede, segurança?
> implementação;
> Verificação e ajustes.

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