Maio - Junho - Julho 2009
Em uma coisa todos concordam: parar de fumar é muito difícil. O desafio de deixar o vício se torna ainda maior porque o cigarro é uma droga legal e relativamente barata. Contudo, leis que proíbem o cigarro em locais fechados começam a estimular o abandono desse vício.
Além desse fator, a dependência psicológica também interfere na hora de largar o cigarro. Os fumantes, normalmente, associam situações ao ato de fumar. Segundo a pneumologista, Marta Kalil, isso é mais comum com as mulheres, que veêm o cigarro como um companheiro. “No consultório, elas relatam que sem o cigarro se sentem solitárias”, destaca.
Essa percepção, segundo as orientações da Organização Mundial da Saúde, modificou a forma de tratamento que, agora, também se baseia no comportamento.
O primeiro passo para deixar de fumar é tomar essa decisão. Marta explica que o resultado só é possível quando o fumante decide isso. “A partir daí, é necessário que a pessoa tente entender porque ela fuma.”
Na tentativa de deixar o cigarro, os resultados obtidos são diferentes de pessoa para pessoa, por isso, as medidas adotadas são individuais. Hoje existem medicamentos que auxiliam no tratamento e grupos de apoio, acompanhados por pneumologistas e terapeutas. “Os grupos são fundamentais. Hoje muitos deles são subsidiados pelo governo que, felizmente, descobriu que é mais vantajoso prevenir do que cuidar das doenças causadas pelo cigarro.”
Segundo a pneumologista, o prazo para que a pessoa seja considerada um ex-fumante é de um ano. Ela destaca, contudo, que neste período as recaídas são comuns, principalmente nos seis primeiros meses. “O paciente precisa entender que a recaída também faz parte desse processo. Se isso não ocorre, a sensação de fracasso faz com que ele desista da tentativa.”
A pneumologista Gláucia Alves Lima explica que, para atingir o objetivo de parar de fumar, o apoio da família e dos amigos é fundamental. “O estímulo e encorajamento precisam vir de todos os lados, com essa motivação as chances de desistir são menores.”
Outro fator que deve estimular deixar o tabagismo é a saúde. Ao contrário do que a maioria acredita, o tabagismo é doença, sim. E precisa de tratamento. No Brasil, estima-se que 17,4% da população seja fumante. O cigarro é responsável por muitos casos de infarto, derrame, enfisema de pulmão e tumores. Além disso, fatores estéticos como envelhecimento precoce, o escurecimento dos dentes e unhas e mudança na voz também ocorrem por conta do cigarro.
A falsa ilusão de que o cigarro não traz malefícios à saúde ainda persiste em algumas pessoas porque as doenças mais graves relacionadas ao tabaco podem demorar mais de 20 anos para se manifestar. “Claro que depende da genética de cada um, mas o fumante está mais exposto às doenças. O problema é que ele nunca associa isso ao cigarro e costuma arrumar uma outra desculpa”, completa a Dra. Marta.
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